3ª Terça XHub debate os desafios da Reforma Tributária em edição especial Outubro Rosa
Com palestra de Fernando Luís Bertolla, música ao vivo com Tita e Rafa e homenagem às mulheres, a 15ª edição do encontro reuniu empresários e convidados para uma noite de conhecimento, conexões e experiências no XHub 1.

A 3ª Terça XHub – Happy Hour realizou, na noite de terça-feira, 20 de outubro de 2026, sua 15ª edição, reunindo empresários, gestores e integrantes da comunidade no XHub 1, em Caxias do Sul. Inspirado pelo Outubro Rosa, o encontro teve como destaque a palestra “Reforma Tributária: Qual rota sua empresa vai seguir?”, conduzida pelo contador e especialista Fernando Luís Bertolla.
A programação combinou conteúdo empresarial, apresentações musicais, gastronomia e homenagens, reforçando a proposta da iniciativa de conectar conhecimento e relacionamento em um ambiente descontraído.
Acolhimento, reencontros e uma programação musical especial
O evento teve como anfitriões Christian Rizardi, Head Geral da XPlay, e Maurício Ebner, Head Comercial, que recepcionaram os convidados e deram as boas-vindas à comunidade, acompanhados pela equipe da empresa.
Na condução do cerimonial, o jornalista Cleberson Portela também destacou e agradeceu, em nome da XPlay, a presença e a parceria do professor Airton Martins, economista, mestre em Gestão Empresarial pela FGV, ex-professor da UCS e cofundador da BMC Consultoria.
Na ocasião, Portela anunciou a gravação de um novo episódio do podcast XPlay Business, com a participação de Fernando Bertolla e Airton Martins. A conversa, que será disponibilizada nos próximos dias pelos canais da XPlay, aprofunda os impactos da Reforma Tributária e a importância da gestão de custos, formação de preços e planejamento para as empresas.
Um dos diferenciais desta edição foi a presença da dupla caxiense Tita e Rafa, com mais de 20 anos de trajetória musical. Os artistas participaram de diferentes momentos da programação, desde a recepção até intervenções durante a dinâmica da palestra, encerrando a noite com um pocket show.

A tradicional pizza também fez parte da experiência, acompanhada pelo chope oferecido aos convidados em parceria com a Cervejaria Favorita, proporcionando mais um momento de confraternização e networking.
Fernando Bertolla apresenta caminhos para a Reforma Tributária
O conteúdo central da noite ficou por conta de Fernando Luís Bertolla, contador, Doutor em Administração pela PUCRS e Mestre em Administração pela UCS.
Com mais de 25 anos de experiência nas áreas contábil, tributária e de tecnologia da informação, Fernando atua em consultoria empresarial, planejamento tributário e gestão estratégica. Também possui uma trajetória acadêmica que inclui 12 anos como professor do curso de Ciências Contábeis da UCS, além de atividades como docente convidado em cursos de extensão e pós-graduação.
Em sua apresentação, o especialista abordou as mudanças trazidas pela Reforma Tributária brasileira, com destaque para a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), tributos que integram o novo modelo de tributação sobre o consumo.
O principal alerta foi direcionado às decisões que empresários e gestores precisam tomar durante a transição: a escolha do regime tributário não pode ser baseada exclusivamente na alíquota, mas deve considerar o resultado econômico do negócio.
Entre os pontos apresentados, Fernando aprofundou as diferenças entre o Simples Nacional Tradicional, também chamado de Simples Puro, e o Simples Híbrido.

No modelo tradicional, a empresa preserva a sistemática simplificada de recolhimento dos tributos. Já no modelo híbrido, poderá permanecer no Simples Nacional para determinados impostos e apurar IBS e CBS pelo regime regular, ampliando as possibilidades de aproveitamento de créditos tributários, conforme as regras aplicáveis.
A escolha, entretanto, exige atenção. Empresas que vendem diretamente ao consumidor final podem encontrar vantagens diferentes daquelas que atendem outras empresas, especialmente quando seus clientes utilizam créditos tributários nas operações.
Simulações demonstram impactos sobre custos, preços e competitividade
Um dos aspectos mais relevantes da palestra foi a utilização de simulações de cenários empresariais, aproximando os conceitos tributários da realidade de quem precisa tomar decisões.
Fernando apresentou cinco cenários envolvendo empresas dos setores de serviços, comércio e indústria, comparando alternativas entre Simples Tradicional, Simples Híbrido, Lucro Presumido e Lucro Real.
Os exemplos demonstraram que uma opção tributária aparentemente mais econômica pode não representar necessariamente a alternativa mais competitiva, dependendo do perfil dos clientes, dos fornecedores, da possibilidade de aproveitamento de créditos e das margens do negócio.
Nas operações entre empresas, conhecidas como B2B, o especialista destacou a importância de compreender o custo líquido para o comprador. Em determinadas situações, uma proposta com preço nominal mais elevado pode se tornar economicamente mais atrativa quando considerados os créditos tributários disponíveis.
A formação de preços também recebeu atenção especial. Com a nova sistemática, as empresas precisarão avaliar de maneira integrada os tributos destacados, os créditos recuperáveis, os custos efetivos e a margem operacional desejada.
Outros pontos abordados foram os possíveis reflexos sobre fluxo de caixa, capital de giro, gestão de fornecedores, contratos comerciais, estoques e sistemas de gestão empresarial.
A apresentação reforçou que a Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma mudança contábil ou fiscal. Seus efeitos alcançam diferentes áreas das organizações, exigindo alinhamento entre contabilidade, financeiro, comercial e gestão estratégica.

Ao sintetizar sua abordagem, Fernando destacou uma orientação que traduz o principal aprendizado da palestra:
“Uma decisão tributária não deve começar pela alíquota. Inicia pela estratégia do negócio. Simule por cliente, por contrato e por margem, antes de decidir o regime.”
A mensagem reforçou a importância de transformar informações tributárias em decisões fundamentadas, capazes de preservar a rentabilidade e a competitividade das empresas durante a transição.
Outubro Rosa: homenagem às mulheres presentes
Além do conteúdo empresarial, a edição preservou o significado do Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama e a importância da atenção à saúde.
Como forma de reconhecimento e carinho, as mulheres presentes foram homenageadas com a entrega de rosas ao final da programação.
O gesto marcou um momento especial do encontro, reforçando a valorização das mulheres e a mensagem de cuidado representada pela campanha.
Crônica do Mês conecta prevenção e planejamento empresarial
O encerramento também contou com a tradicional Crônica do Mês, escrita e apresentada pelo jornalista Cleberson Portela, que exerceu a função de mestre de cerimônias da edição.
Intitulado “Outubro Rosa: o futuro não espera pela nossa decisão”, o texto foi inspirado na palestra de Fernando Bertolla e propôs uma reflexão sobre mudanças, escolhas e a importância de antecipar decisões.
A narrativa utiliza a metáfora de um motorista que, após percorrer a mesma estrada durante muitos anos, precisa reconhecer que o caminho mudou. A partir dessa imagem, a crônica aproxima a necessidade de adaptação empresarial do conceito de prevenção, presente na campanha Outubro Rosa.
A reflexão destacou que, embora o planejamento não elimine as incertezas, ele transforma a maneira como pessoas e organizações se preparam para enfrentá-las.
“O futuro não espera pela nossa decisão. Ele chega. Com ou sem planejamento. Com ou sem preparo. Com ou sem a nossa concordância.”
A edição de outubro deixou uma mensagem especialmente relevante para o ambiente empresarial: preparar-se para as transformações é uma maneira de proteger aquilo que foi construído e criar condições para continuar avançando.
🩷 CRÔNICA DO MÊS
Outubro Rosa: o futuro não espera pela nossa decisão
Inspirada no tema “Reforma Tributária: Qual rota sua empresa vai seguir?”, com Fernando Luís Bertolla.
Há uma pergunta que quase ninguém gosta de responder:
E se amanhã aquilo que sempre funcionou deixar de funcionar?
Talvez seja por isso que o futuro nos provoque tanto desconforto.
Não porque ele seja necessariamente ruim.
Mas porque ele não pede licença para chegar.
Pense em um motorista que percorre a mesma estrada há vinte e cinco anos.
Conhece cada curva.
Cada subida.
Cada trecho perigoso.
Sabe onde acelerar e onde reduzir a velocidade.
Até que, numa manhã qualquer, encontra uma placa:
“A partir daqui, o caminho será diferente.”
A estrada mudou.
Mas o motorista continua sendo o mesmo.
Sua experiência não desapareceu.
Seu conhecimento continua valioso.
O problema é que aquilo que o trouxe até aqui talvez não seja suficiente para levá-lo adiante.
É um pouco disso que estamos vivendo no mundo dos negócios.
A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na maneira de calcular impostos.
Ela nos coloca diante de algo muito maior:
a necessidade de rever caminhos que, durante muito tempo, consideramos definitivos.
E quando uma mudança dessa dimensão acontece, surgem diferentes tipos de viajantes.
Há quem estude o novo mapa.
Há quem procure orientação.
Há quem comece a preparar o veículo.
E há também quem prefira acreditar que, se continuar dirigindo como sempre dirigiu, chegará ao mesmo destino.
Mas existe uma diferença importante entre ter confiança na própria experiência...
e confiar que o mundo continuará igual.
Outubro chegou vestido de rosa.
E, tradicionalmente, essa cor nos convida a falar sobre cuidado, prevenção e atenção à vida.
Uma causa que merece todo o nosso respeito.
Mas hoje eu gostaria de emprestar uma palavra dessa campanha para uma reflexão que também pertence ao universo empresarial.
Essa palavra é:
prevenção.
Porque prevenir é um exercício curioso.
Significa tomar uma decisão hoje por causa de algo que ainda não aconteceu.
É investir tempo quando aparentemente está tudo bem.
É procurar respostas antes que as perguntas se transformem em problemas.
É reconhecer que nem todo risco faz barulho.
Na vida, aprendemos que cuidar não é esperar a dor aparecer.
Nos negócios, talvez precisemos aprender que planejar não é esperar a crise chegar.
E essa comparação não diminui a importância do cuidado com a saúde.
Pelo contrário.
Ela nos lembra de uma lição que a vida insiste em ensinar:
aquilo que valorizamos precisa receber atenção antes de estar ameaçado.
Uma empresa também carrega histórias.
Carrega famílias.
Carrega empregos.
Carrega sonhos que começaram pequenos e cresceram com muito trabalho.
Por trás de um CNPJ existem pessoas que acordam cedo, assumem responsabilidades, enfrentam incertezas e acreditam que amanhã poderão continuar construindo alguma coisa.
E é justamente por essas pessoas que decisões importantes não deveriam ser deixadas para a última hora.
Afinal, qual é o verdadeiro custo de uma decisão adiada?
Nem sempre ele aparece na contabilidade.
Às vezes, aparece numa oportunidade perdida.
Num investimento que deixou de acontecer.
Num processo que poderia ter sido melhorado.
Ou na tranquilidade que desaparece quando percebemos que tivemos tempo para nos preparar...
mas escolhemos não fazê-lo.
E há algo interessante nessa história.
Quando pensamos em uma rota, costumamos nos preocupar muito com o destino.
Queremos saber onde vamos chegar.
Quanto tempo levará.
Quanto custará a viagem.
Mas esquecemos de uma pergunta fundamental:
Estamos preparados para percorrer o caminho?
Porque não basta conhecer o destino.
É preciso compreender o terreno.
Ter instrumentos confiáveis.
Saber interpretar os sinais.
E, sobretudo, reconhecer quando precisamos de alguém que conheça melhor aquela estrada.
Talvez uma das maiores demonstrações de inteligência de um gestor não seja ter todas as respostas.
Mas saber fazer as perguntas certas...
antes que seja tarde demais.
A Reforma Tributária certamente exigirá conhecimento técnico, planejamento e adaptação.
Mas, acima de tudo, exigirá uma disposição que nenhuma legislação consegue determinar:
a disposição de mudar.
Porque as leis podem estabelecer novas regras.
Os sistemas podem calcular novos tributos.
A tecnologia pode automatizar processos.
Mas nenhuma dessas ferramentas consegue decidir, no lugar de um empresário, que chegou a hora de preparar sua empresa para uma nova realidade.
E é aqui que Outubro Rosa encontra a reflexão desta noite.
O cuidado não elimina todas as incertezas.
A prevenção não garante que jamais enfrentaremos dificuldades.
O planejamento não nos permite controlar o futuro.
Mas tudo isso muda profundamente a maneira como chegamos até ele.
Talvez seja essa a grande diferença entre quem simplesmente espera o amanhã...
e quem começa a construí-lo hoje.
Por isso, diante de tantas mudanças, eu não gostaria de encerrar perguntando apenas:
“Qual rota sua empresa vai seguir?”
Gostaria de acrescentar outra pergunta:
“O que você está fazendo hoje para que sua empresa tenha condições de escolher o próprio caminho amanhã?”
Porque o futuro não espera pela nossa decisão.
Ele chega.
Com ou sem planejamento.
Com ou sem preparo.
Com ou sem a nossa concordância.
E quando a próxima curva aparecer...
talvez a pergunta mais importante não seja se conhecíamos aquela estrada.
Mas se tivemos a coragem de reconhecer...
que era hora de aprender um novo caminho.
Matéria e Crônica: Cleberson Portela
Jornalista – MTB 19.384
Assessoria de Comunicação e Marketing da XPlay
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